Ele voltou!

Ronaldo is back!!!

Laurence Griffiths/Getty Images (www.cnn.com)

O eterno retorno de Ronaldo

Daniel Piza para o Estado de S.Paulo, em 23/6/2006

Quase todos queriam a saída de Ronaldo. Houve até comentários de que ele já não seria um profissional ou de que estaria em depressão, para citar apenas duas das mais incríveis especulações que o cercam. Mas Ronaldo, com físico de judoca ou não, ainda é o melhor centroavante do planeta. Vivem anunciando seu fim, e ele vive retornando. Hoje muitos vão fingir que não disseram o que disseram. Não importa. O que a história já registra é que se trata do maior goleador de todos os tempos em Copas, ao lado de Gerd Müller; do maior goleador da seleção brasileira em Copas, acima de Pelé; e do segundo maior goleador da história da seleção, abaixo de Pelé. E isso numa carreira da qual foram suprimidos pelo menos três anos por lesões. Ah, sim, ele é também no momento o artilheiro da seleção nesta Copa: 2 gols em 3 jogos.

Mas não são apenas os gols. Ronaldo ontem jogou muito bem: procurou tabelas, chutou sete vezes a gol (cinco certas), driblou, pôs em polvorosa a zaga japonesa. Mais importante ainda: não foi apenas ele que melhorou. Ronaldinho Gaúcho se soltou e, distribuindo passes e lançamentos, começou a ser o maestro que tanto esperávamos. Era uma questão de tempo para que essa dupla de cinco títulos de melhor do mundo voltasse a funcionar. E Robinho e Kaká se mexeram e finalizaram muito, provando que o quarteto funciona, sim. Só que não era Ronaldo o problema; ele apenas não tinha sido ainda sua maior solução. Paciência com os talentos é um sinal de grandeza, que, assim como Felipão, Parreira novamente mostrou ter.

É claro que o Japão é tecnicamente fraco, e o Brasil chegou com a tranqüilidade de quem está classificado. Mas o time entrou com cinco reservas e, se houve falhas aqui e ali (como na proteção dos laterais), foi superior o tempo todo. Com as trocas, o time ganhou leveza e vitalidade ideais para enfrentar um adversário que se caracteriza pela rapidez, ao contrário das retrancadas Croácia e Austrália. As comparações são perigosas, justamente por essa diferença de características. Mas Parreira volta a sentir o gosto dos doces problemas: e agora? Gilberto Silva, Juninho – que finalmente o técnico enxergou na posição de Zé Roberto – e Robinho merecem as vagas, para não falar em Cicinho (que às vezes desguarnece a marcação). Contra Gana, que é um time forte e com alguns jogadores habilidosos, eles trariam a velocidade na troca de bola que se viu contra o Japão, sem perda na força do desarme. Mas esse é um debate para os próximos dias. Por hoje, vamos ficar com a alegria mostrada pelo time canarinho, puxada por Ronaldo, o queima-línguas, o come-recordes.

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