#2 – fazendo bonecas…tecidos “cor da pele”

As primeiras perguntas que aparecem quando se pensa em fazer bonecas dizem respeito aos tecidos para fazer a “pele”. Linho, tricoline, malha…qual o ideal? Mas a pergunta que insiste em aparecer com maior frequencia faz pensar muito além da relação trama do tecido x resultado final… ONDE ENCONTRAR  E QUAL O MELHOR TECIDO COR DA PELE?

Sabe por que faz pensar?

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Quem não se lembra da época da escola, desse lápis aí, DE UMA COR QUE NÃO REPRESENTA QUASE NENHUMA COR DE PELE NATURAL mas que era conhecido como “cor da pele”?

Não sei no mundo de vocês, mas no meu (trabalho com educação) essa é uma discussão antiga. Ou deveria ser. Partir do princípio de que existe UMA COR que pode ser batizada de COR DA PELE é, no mínimo incoerente, diante da diversidade de cores de pele que existem.

Já existem empresas preocupadas em garantir que os pequenos, ao pintarem pessoas, possam explorar cores de pele, cabelos, da mesma maneira que variam o que desejam desenhar.

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No universo da costura, mais especificamente da confecção de bonecas, precisamos falar sobre “cor da pele” com coerência se não quisermos ser preconceituosos. O pior tipo de racismo é aquele que aparece “sem a intenção de ser”, eu acho.  Até porque, expõe uma ausência de reflexão a respeito. E não podemos esquecer que preconceito, assim como tantas outras coisas que “grudam na gente”, são aprendidas nas entrelinhas das relações sociais e familiares, mediadas pela cultura na qual estamos inseridos. E só nos “desgrudamos” dele se pensarmos a respeito e identificarmos NA MANEIRA COMO FALAMOS SOBRE AS COISAS os indícios de que tem preconceito, sim, na gente também.

Na semana em que recomeçam os conflitos na Faixa de Gaza, me parece muito pertinente falarmos sobre preconceito, ainda que seja a partir de algo que parece tão banal e inocente quanto o tom do tecido que vamos usar para representar a pele em nossas bonecas.

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Agora, falando em tecidos, as possibilidades são infinitas! E vale ir para a loja de tecidos com algo como essa imagem em mente. Vale o tom que você quiser e vale variar.

Aqui em casa eu tenho hoje essas cores e tecidos que gosto de usar em bonecas:

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1 – LINHO: meu favorito para pele de boneca. Gosto muito da textura. Como é um pouco mais grosso que o algodão (tricoline), com o enchimento a aparência fica menos irregular, eu acho.

2 e 4 – ALGODÃO (TRICOLINE): são os mais fáceis de encontrar e os que vêm em uma variedade maior de cores e tons.

3 – ALGODÃO CRU: tem uma trama um pouco mais aberta e dá uma carinha mais rústica ao trabalho, mas vem em cores interessantes para fazer pele também.

Esses 3 tipos de tecido são o  meio termo entre os rígidos e os muito flexíveis, o que facilita o manuseio das partes da boneca enquanto a montamos. No curso de Bonecas Tilda que estou fazendo com a Lu Gastal (via EduK), ela ontem chamou a atenção para isso e achei uma informação bem pertinente: o tecido não pode ser muito rígido, grosso (como brim), pois dificulta muito a produção de partes como braços e pernas (virar do avesso para o direito torna-se uma missão impossível). Da mesma forma, não pode ser muito flexível como a malha, principalmente para fazer Tildas ou bonecas como estas.

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Pele feita com tecido de algodão (tricoline).

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Nesta usei linho…dá pra ver a diferença?

Agora, vale dizer que o mercado têxtil brasileiro não segue um padrão na produção de cores da mesma forma que outras culturas seguem. É por isso que às vezes começamos um trabalho com um tecido liso de uma determinada cor e, quando voltamos a loja para comprar mais um pedaço, a bobina seguinte “da mesma cor” é ligeiramente diferente. É assim, não tem jeito! A mesma coisa acontece com linhas, lãs… Então, se pretende fazer várias bonecas exatamente da mesma cor de pele, sugiro que compre o tecido todo que irá usar de uma vez. Claro que isso vale para qualquer trabalho…

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4 comentários sobre “#2 – fazendo bonecas…tecidos “cor da pele”

  1. Também vi o curso semana passada e acabei fazendo um post sobre o assunto (www.lindsaykorth.blogspot.com). Cá estou, com as pernocas recheadas de uma futura Tilda (sabe-se lá como ela será, rsrs). Estou usando um tricoline, que compro aqui como “tecido pra boneca”. Tentei suavizar ao máximo a textura irregular que vence a trama, especialmente tendo que socar tanto a fibra, e “cutucando” o máximo que pude a camada externa pra desmanchar as tais “celulites”. Mas num tecido fino assim, é dificil se chegar a um resultado 100%. Ficou aceitável, digamos,rs. Tenho curiosidade sobre o linho…pela foto, realmente, ficou mais lisinho. Fora que o tecido em si já é um charme. Ou, quem sabe, testar outro tecido mais encorpado, mas acaba sendo mais dificil de encontrar a variedade de tons pra esse fim específico.

    Bjs!

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    • Oi, Lindsay. O linho de fato faz diferença. O bom é que ele é um pouco mais encorpado, sem ser mto rígido, o que facilita o manuseio. Costumava vir em vários tons “de pele”. O problema agora é onde encontrar linho, que não é mais produzido no Brasil… Pensando sobre isso, talvez o algodão mais rústico, esse conhecido como “cru” possa ser uma boa opção. Também pode ser encontrado em tonalidades diferentes que podem dar tons de pele interessantes. Divertida essa busca, né? Vou lá visitar seu blog! Quem sabe sua Tilda aparece por lá… fiquei curiosa. Obrigada pela visita. Bj.

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  2. O algodão mais rústico que encontrei aqui é ligeiramente mais encorpado. Fica interessante, mas o que percebi, morando em um lugar frequentemente úmido, é que é mais sensível ao mofo que outros tecidos. Não só mais suscetível ao cheiro quanto às manchas do bolor. :-/ Outros tecidos levaram bem mais tempo pra chegar nas mesmas condições, digamos. Provavelmente alguma etapa de tratamento pela qual o algodão cru, por ser mais rústico, não passa. O linho é lindo, e adoraria usar mais ele, especialmente nos meus acessórios (não só os lisos como aqueles estampados…como são charmosos!). Mas também custa bem mais caro que os tecidos usuais. Vou dar uma sondada pra ver que opções há no mercado, em termos de tonalidades e trama. Falando em trama, você sentiu alguma diferença em relação ao tricoline? digo, ela tende a “desfiar” mais facilmente ou dá tudo na mesma? Os linhos que encontrei por aqui, não muitos e apesar de fios mais encorpados, geralmente tem uma trama mais aberta. Por isso a pergunta.

    Beijos! 😉

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    • Você tem razão quanto ao algodão cru. De fato é mais sensível à umidade… Quanto a trama, o algodão cru e a tricoline me parecem bem semelhantes. Não desfiam com tanta facilidade… Já o linho é o que mais desfia, por isso, não dá para manusear muito. Depois de cortar as peças em linho tem que costurar logo! Sabe que um truque para evitar que os tecidos desfiem é cortá-los com tesoura de picote? Ajuda um pouco a conservar o pedaço cortado intacto. Bj!

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